O convite do Eremita

Atualizado: Abr 22

Nesse momento de reclusão, o arcano maior do Eremita, do Tarô, pode nos inspirar.

É comum que se descreva o Tarô como um instrumento místico de adivinhação e há boas razões para isso.

De fato, ele vem sendo utilizado dessa maneira “divinatória” por muitas das pessoas que se conferem o título de “leitoras” das cartas, ou cartomantes.

A origem do Tarô é desconhecida. Tudo indica que nasceu como uma evolução das cartas de jogar, oriundas do mundo árabe (Mamlûk), que chegaram à Europa no Século XIV, onde ganharam, no século seguinte, ilustrações com personagens (o desenho da figura humana era proibido entre os árabes) e um novo grupo de cartas adicionais denominadas “de trunfo”.

O uso do baralho como Oráculo parece ter surgido apenas no século XVI, na Itália, no auge do período renascentista.

Entre a história e o preconceito contra o misticismo associado ao uso oracular do Tarô, historiadores e pesquisadores deixam escapar um detalhe importante.

As cartas de trunfo, adicionadas ao baralho mameluco, são figuras arquetípicas facilmente associáveis às diferentes etapas da jornada do indivíduo, representado pelo Louco (ou Tolo), e sua relação com o inconsciente coletivo.

Esse novo olhar surge de forma organizada apenas a partir do desenvolvimento da psicanálise, particularmente da abordagem Junguiana (Carl Jung), já no início do século XX.

É com essa perspectiva que chamamos a carta Eremita para nos guiar.

A carta está na nona posição da jornada do Louco, rumo à transformação, e representa um momento de introspeção, em busca do autoconhecimento e da sabedoria.

Essa busca recomendada pelo Eremita tem origem na Grécia antiga, desde o enigma da Esfinge – “Decifra-me ou te devoro” – até a celebre recomendação de Sócrates – “Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e será sábio”.

O Eremita propõe ao Louco que faça uma revisão de sua jornada. O Louco já enfrentou grandes desafios para chegar até este momento, e esteve muito atarefado para refletir.

Se não sabemos quem somos, como decidir o que queremos. E se não decidimos o que desejamos, como escolher o caminho para chegar lá. E se não estamos certos do caminho, por que nos apressamos tanto?

"De que adianta ter pressa quando estamos no caminho errado?"

É necessária uma pausa no fazer, na paixão, na determinação e na perseverança, dando espaço para a prudência, para um check up mental e físico, para descobrir nosso potencial e nossas limitações, para revisitar nosso destino e para avaliar se o caminho que trilhamos até agora nos levará onde desejamos.

Uma proposta muito adequada para o momento, não?

Sou fã do Tarô. Cada um de seus arcanos, maiores e menores, é um convite para auto avaliação e para repensar cada momento de nossa jornada.

Transmito esse convite, diariamente, no Instagram, através do Tarot de Taar (@tarotdetaar), com a leitura arquetípica das cartas.

Quem quiser experimentar esse desafio, basta seguir.

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© 2020 by Flávio Ferrari