Descolapso: a origem


Descolapso nasce em meio à pandemia da Covid-19, que talvez passe para os livros de história do próximo século como a Praga Chinesa, um rótulo quase tão injusto quanto o da Gripe Espanhola.

Mas a pandemia não foi sua real inspiração. Apenas criou o momento oportuno.

Descolapso é uma ideia que começou a ser maturada durante um congresso da ABETA – Associação Brasileira de Ecoturismo e Turismo de Aventura, quando o amigo Jean-Claude Razel me apresentou a Colapsologia e o conceito do Happy Collapse.

A ideia que fundamenta a Colapsologia é a de que nossa pegada ecológica já excedeu a biocapacidade do planeta, o que impede sua regeneração, e que a orientação global para o crescimento da economia não nos permitirá reduzir essa pegada a tempo para estabilizar o sistema e encontrar novas soluções realmente sustentáveis de crescimento.

Nosso biossistema encontrará, 'naturalmente', seu ponto de equilíbrio, mas não de forma controlada. Será uma consequência do colapso.

O vídeo de Arthur Keller, engenheiro aeroespacial, consultor e conferencista sobre questões relacionadas com energia, clima e transição ecológica, oferece uma 'aula' sobre o tema, que vale a pena conhecer.

Os adeptos mais vocais dessa tese já são chamados, na França (onde o movimento é mais forte) de 'neo profetas' do fim do mundo.

Mas há uma corrente consciente que propõe que nos preparemos para uma vida diferente, menos pautada pelos recursos industriais e modernidades tecnológicas. Uma alternativa para 'viver' o fim do mundo como conhecemos ao invés de 'sobreviver' à catástrofe. E essa é a tese do Happy Collapse.

As novas ideias só fazem sentido quando estamos preparados para elas, quando ouvimos algo que nosso inconsciente já estava elaborando.

Na última década, dediquei boa parte do meu espaço mental à filosofia Tântrica, sobre a qual terei a oportunidade de falar com maior profundidade mais tarde.

Por hora, basta dizer que dez anos de exploração desta filosofia e suas práticas prepararam o terreno para a compreensão do conceito do Happy Collapse, apesar de não gostar do nome.

A sensação de que a humanidade, com toda sua evolução tecnológica e científica, avança cada vez mais velozmente sem destino, já havia me consumido.

Viver aqui e agora, com atenção, intensidade e serenidade (e, sempre que possível, com prazer), o que venho experimentando cada vez mais, é um contraponto devastador para a ideia da incessante busca de um futuro melhor, de conforto, riqueza e poder no amanhã.

De onde eu observo, antes mesmo das questões ecológicas, vejo pessoas à beira do colapso.

Este momento em que o mundo desacelerou, em que somos forçados a abandonar, mesmo que provisoriamente, os velhos hábitos automatizantes e temos a oportunidade de pensar e repensar, me pareceu oportuno para instigar reflexões sobre como iremos aproveitar nosso tempo na Terra e a nossa relação com tudo o que nos cerca.

E, se caminhamos para o colapso, encontrar caminhos para o descolapso.


Flavio Ferrari

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